Doris Fontes Mercado de Trabalho Estatística

Quem é estatístico no Brasil, formado ou graduando, alguma vez na vida conheceu ou irá conhecer em breve a Doris Fontes, atual presidente do CONRE-3! Doris é conhecida de Porto Alegre até Manaus pelo seu trabalho de divulgação da nossa querida profissão de estatístico. Recentemente tive a oportunidade de conversar com ela e perguntei se poderia nos dar a honra de falar um pouco sobre seu conhecimento do mercado de trabalho para o estatístico hoje no Brasil. Sempre muito gentil e atenciosa, Doris aceitou o convite e o resultado segue na íntegra abaixo.

Se você é ingressante do curso de estatística, confira também 7 dicas especialmente pra você.

1) O que todos querem saber: estatístico realmente ganha bem?

​Não tenho nenhuma pesquisa formal feita, mesmo porque quase ninguém gosta de citar quanto ganha, mas, através de anúncios de vagas e conversas informais, dá para notar que o salário do Estatístico Jr é relativamente bom, comparado a várias outras profissões. Aqui na capital de SP começa em geral em torno de R$ 4000-4500 no setor financeiro (que inclui bancos e cartões de crédito, por exemplo) e empresas grandes de pesquisa de mercado. Nos demais segmentos, quanto maior a complexidade da função e qualidade do estatístico, os salários também sobem de acordo. Há segmentos novos, como os de BIG DATA, cuja utilidade está despontando como novidade em quase todos os tipos de empresas do Brasil, e do mundo, que ainda é um mistério para o estatístico. Estatísticos com boa formação e partindo para a área de analytics pode encontrar salários de R$10-15 mil facilmente.

2) Todos os meus colegas estatísticos estão muito bem empregados. Qual a sua visão do mercado de trabalho pro estatístico recém formado hoje?

O mercado para estatístico é amplo hoje e continuará amplo por muito tempo. Os estatísticos que se formam hoje não conseguem preencher sequer 50% das vagas que anunciamos no StatJobs (facebook do CONRE-3), imagine daqui a alguns anos o tamanho do déficit de mão de obra estatística. Formamos hoje menos de 500 profissionais por ano no Brasil todo. Isso é muito pouco. Assim, os estatísticos que se formam hoje têm um vasto mercado para escolher sua vaga. Mas, ao mesmo tempo em que há espaço, as vagas estão se sofisticando, exigindo mais conhecimento do estatístico. Por isso, a boa formação é sempre uma vantagem.

3) E no futuro? Acha que essa demanda por profissionais estatísticos tende a continuar, diminuir ou aumentar?

Vamos imaginar somente esse mundo de Big Data. Tanto esforço para coletar e organizar dados não podem morrer aí, certo? Algumas projeções dizem centenas de milhares de profissionais de TI estarão na mira até o ano 2020 aqui no Brasil. Não adiantará nada ter um banco de dados se não houver alguém para torná-lo útil, informativo. Aí entra, ou deveria entrar, o estatístico. Estudamos tantas técnicas para extrair informação de dados e precisamos estar, mais do que nunca, preparados para bancos enormes, diversos, complexos.​ ​​Acredito que a demanda vai aumentar. Se tomar decisão hoje é importante para qualquer tipo de sobrevivência, imagine num mundo onde uma massa gigantesca de cidadãos e corporações estarão lidando com bancos de dados gigantescos, a todo o instante. Alguém tem que facilitar a vida de tantas pessoas e empresas. Já imaginou quando explodir a IdC (Internet das Coisas, ou IoT – Internet of Things)?

4) Qual área de atuação mais incomum pra você onde você viu atuar um estatístico? O que achou?

​Aos poucos o estatístico está tendo oportunidade para contribuir nas mais diversas áreas. No Brasil parece-me que a área das Ciências Humanas é a que menos tem aproveitado o expertise de nossos profissionais para introduzir análises estatísticas mais elaboradas em seus trabalhos. Aliás, é um erro pensar que análises qualitativas jamais precisam de técnicas estatísticas. há muitos exemplos fora do Brasil de estatística aplicada às ciências sociais, letras, psicologia ou direito, mas aqui nem tanto. Talvez a linguística seja a área mais incomum, mas muito interessante para o estatístico, certamente.

5) Muitos se interessam pela crescente área da estatística no esporte. O que você pode nos dizer sobre ela e o que tem a dizer sobre quem tem interesse?

​​Tudo depende da maturidade dos dirigentes da área e, também, da ousadia e criatividade do estatístico. Nos esportes há claramente um espaço ótimo para aplicações de análises estatísticas tanto para melhorar estratégias do jogo, como também manutenção da saúde dos atletas. Pode haver também estudos para melhorar o calendário de jogos, quem sabe.

6) No fim das contas, vale a pena todo o esforço pra se formar nesse curso tão difícil?

​​Lógico que vale. Que curso seria fácil? Engenharia? Direito? Medicina? Física? Qualquer curso bem feito é trabalhoso. O estudante tem que se esforçar para se formar bem e ser um bom profissional, seja do mercado de trabalho ou na academia — lembrando que ambos os mercados estão aquecidos.​

7) Deixe um recado para os que ainda estão na graduação, nossos futuros profissionais.

O meu recado é para os atuais estudantes da estatística: cuidem bem de sua formação, lapidem-na com cuidado e enriqueçam-na com muitos cursos extras que possam fazer, sejam como optativa ou ouvinte. Sejam curiosos sempre e leiam muito, não apenas livros de matemática ou estatística, mas livros de arte, economia, política. Ter cultura geral facilitará a vida de um analista estatístico já que alimentará sua criatividade. Tenham uma mente aberta, permitam-se conversar com outros profissionais e aprender deles o que vocês não sabem.

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Mercado de trabalho do estatístico: uma entrevista com Doris Fontes
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2 ideias sobre “Mercado de trabalho do estatístico: uma entrevista com Doris Fontes

  • março 23, 2015 em 8:20 pm
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    Curso fantástico, para quem gosta de desenvolver habilidade além do que se passa em sala de aula…PERFEITO.

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